30.1.07

prenúncia de revolução no voluptuoso reino de Borgonha Malagosta e Butantan

o cão de rinha da alteza
investiu balrroarbuciarrando salivas ornamentais
volutantes pela bocarra fatal
ignóbilmente contra o bufão-farrão
que a maltempo de maquiar uma lágrima
azul sobre a face branca de merengue triste
dos palhaços atrás das máscaras
mergulhou no truque do bolso furado
e ressurgiu com graça congelada e flutuação fingida
para a realeza com importância diminuída.

Folhafarrinhou pelos cantos do castelo
de volta ao aposento quatrocentosetidecimo
da ala suspirosa de alegria lânguida das
formigas do submatriz do reino do rei Godo Facilis.

As vassouras vixisquivispalham a pó eira para as beiras
do esgueirador de pedra mui quente de gelada
antes dantesquemelivre que o rei vem chegando
a passalgantes largos e tumbantes na alma delharrebanhadas

a estrutura invisivel por tras da rocha crua do
reino de Borgonha, croquitelê de infinitos corpos vazios
magros e sempre enviezados mas com olhos afiados que não se deixam
enganar, por mascaras de alecrim ou gordas de tenores risadas reais
embebidas a vinhosíssimas bebidas duvapura dos jardins afins.

A espigosa chanfra da rainha desperta culpados olhares
reflexiveis nos tornambulantes do palhal, volta e meia e mais um
pouco de passagem necessariamente indesejada efeméride aos
memorandos ààà Áltezíssima magnificência esplendorosa del Rhey.

A rúbia rainha tem seus ocultos saborrores nos currais meliante
as bestas escravas e reluzentes de toscana. Esconde a vergonha com mais
pó de arroz, rapé se for para o rei, que bebe mais vinho e estremece
o chicote da quarta mão que não é a de cortar o pão
a quem ousar frufoar pelos entrecantos do eregido.

Sobre os prodigios do rei e dos movimentos à noite e abaixo,
muito abaixo das camadas de cetim, pó de arroz e ouro
a lição que aprendeu o gargalhão constrangilizado alecrim-xaxim
do cálido sorriso e cínico se o quiser duradouro onírico

mas não perde por ociar abostado no pol-trono do altar
o Gran Regis de Malagosta e Butantan, hei de chegar a cavalgadires
de trumpetas e bandeirolas, em bloco orgulhoso soldadins pasquins
à prévia cochichância do complô com elgazias, o velho da torre
E suas misturisticas canpoções calafrias e funestosas efetivas ditas

O underground indifere e segue o tráfego de palha pra lá e ervas pra cá
e o palhaço choquefeito quer achar o seu lugar
pois nao sabe o magimundo o seu profundo embaralho
e dança nos jardinscolores a criança dos amores reais
até que rompe a corda de cerbero dos horrores serviçais.

24.11.06

14.11.06

assuntitulilustratio-cousa

Alterocopia tranfusiva intervém estrutultipanamente na penumbra sob pena de morte.

3.11.06

A Intervenção te Desafia

Por mais bairristas que sejamos, certas ocasiões nos levam, inevitavelmente, a lamentar a nossa realidade local. A falta de acontecimentos artísticos - fora do underground - de alto teor crítico, reflexivo e até sarcástico, nos faz passar por situações cômicas, como foi o "caso de polícia" acontecido com as recentes intervenções urbanas em Pelotas.
Como os próprios artistas disseram, a polêmica acontece porque a sua arte incomoda, porque não é "bonitinha". E ela tem extamente esse propósito: incomodar (tirar do comodismo), gerar reflexão e discussão que antes não existiam, sobre alguns aspectos urbanos.
A intervenção urbana tem no seu espírito o caráter da ironia, às vezes da denúncia. Pois ela utiliza a cidade como suporte, e estabele com a cidade a sua relação, para causar no cidadão a reflexão. A captura da atenção dos transeuntes em transe na realidade urbana só pode acontecer - dada a profundidade do transe e do comodismo atual - através da surpresa e do inusitado. Por isso, a intervenção urbana "de raíz" acontece mesmo sem aviso prévio. São os graffitis nas ruas, os stencils, os cartazes do "vote ninguém". Uma manifestação artística silenciosa e instigante. Uma arte que faz parar pra pensar.
Por um lado, a intervenção em grande escala ocorrida no prédio central - abandonado e inacabado - revelou o despreparo e o descostume que temos com esse tipo de manifestação artística contemporânea. Explicitou nossa realidade provinciana, com autoridades entrando em parafuso e a mídia noticiando polêmica, causadas meramente por uma intervenção artística que ousou ir além do agrado visual, desafiando o observador a pensar, a não fugir de uma realidade desagradável que ele já havia aprendido a ignorar, no seu transe cotidiano rotineiro.
Por outro lado, a obra atingiu plenamente o seu objetivo. Provocou discussão, reflexão. Virou assunto, evidenciou problemas. Questionou supostas premissas. E fez isso de forma bem humorada, aliás, utilizando a mais inteligente das formas de humor - a ironia. Infelizmente, ter o bom senso, ou o bom humor de compreender uma boa ironia não é para todos.
Temos ali duas obras. A obra do prédio e a obra de arte. As perguntas que devem ser feitas são: qual das duas obras é o problema? Qual das duas obras é a verdadeira intervenção urbana? Qual das duas obras caracteriza, de fato, uma ocupação equivocada? O problema sempre esteve ali, a arte apenas o evidenciou.