3.10.06

REVOLVER


1 - Please Please Me
2 - With The Beatles
3 - A Hard Day's Nigth
4 - Beatles for Sale
5 - Help!
6 - Rubber Soul
7 - Revolver
8 - Sgt Pepper`s Lonely Hearts Club Band

9 - Magical Mistery Tour
10 - White Album
11 - Yellow Submarine
12 - Abbey Road
13 - Let It Be

A lista acima mostra os discos dos Beatles na ordem em que foram lançados. Em algum momento desses 13 passos, eles deixaram de ser os Beatles do ye,ye,yeah, para se tornarem os Beatles Monstros. Digo Monstros pq dá a idéia de grandeza e de revolução, já que definir só como "psicodélico" ou qualquer outra palavra dessas é impreciso e parece que fica sempre faltando conceitos a serem embutidos na definição. (Pois é essa parte que fica de fora quando se tenta definir Beatles em algum estilo clássico, que forma o tal do 'algo a mais' que eles tinham, mas que é difícil dizer o que é, com precisão).

O momento dessa revolução no estilo musical dos Four Tops pode ser facilmente deduzido olhand-se a lista. Ele fica exatamente no centro e tem um nome sugestivo: Revolver. (Esqueça o sentido da palavra revolver como pistola, e pense em revolver como aquele que faz a revolta, ou a revolução).

Não há dúvidas de que foi o Revolver o agente da revolução. Mas para mim, essa revolução é uma trindade, que começa um pouco antes e se concretiza um poco depois. Ela é anunciada em Rubber Soul, acontece em Revolver e atinge a maravilha em Sgt. Peppers.

Como se em Rubber Soul os Beatles tivessem ousado e provocado a indagação do público, para então chegar com Revolver e deixar bem claro pra quem não entendeu, o que é que eles estavam fazendo. Revolver é um novo Rubber Soul, só que desta vez perfeito, como quem faz melhor na segunda vez por ja ter feito uma experiência antes. Ou talvez eles tenham apenas decidido fazer a transição mais levemente.

Esgotando as metáforas, como quem dá o primeiro passo em um terreno desconhecido para testar a segurança do solo, é Rubber Soul; e como quem conhece o terreno e entra com os dois pés dentro dele, vem Revolver. E depois disso, claro, como quem saiu correndo confiante em nunca mais voltar, vem Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band.

Rubber Soul poderia ser só uma experiência, uma introdução leve de uma certa psicodelia, mas Revolver vem logo após, cru e direto, para de fato marcar uma nova fase e dizer que o Rubber Soul não foi só uma experiência, foi uma evolução.

E essa é a grande importância de Rubber Soul e Revolver na perfeição de Sgt. Peppers, porque eles preparam-lhe o terreno. E Sgt. Peppers vem com toda a tranquilidade de quem já rompeu, já recomeçou e já está mais do que atuando de maneira diferente, com segurança e entusiasmo no novo estilo.

Rubber foi o último de um estilo, Revolver foi a divisão, e Sgt Peppers foi o primeiro do novo estilo. E pra muitos, inclusive para mim, foi o melhor dos Tops.

Isso explica, talvez, a crueza musical de Revolver que coexiste, no mesmo álbum, com a riqueza e a psicodelia. E ainda cabe, paralelamente, uma análise individual - John Lennon, é quase punk de tão cru, se não fosse tão letárgico: Taxman, She Said, Doctor Robert, I'm Only Sleeping. Paul McCartney, com riqueza instrumental e melódica: Eleanor Rigby, For No One. George Harrison, na onda do Hinduísmo: Love You To. Ringo Starr, fantasia bem humorada, em estilo conto de fadas: Yellow Submarine.

Isso ainda poderia ser imaginação minha, mas se tratando de Beatles, duvido que seja. Além do título "Revolver" sugerir uma revolução, o álbum começa e termina reforçando esta idéia. Começando com Taxman, logo na primeira faixa um som cru e novo, com a primeira frase: "let me tell you how this will be...".
E finalizando com "Tomorrow Never Knows", a faixa mais estranha e experimental do álbum, que além do título instigando a curiosidade para o amanhã, tem a letra:

"Turn off your mind, relax
and float down stream
It is not dying
(...)
But listen to the
color of your dreams
(...)
Or play the game
existence to the end
Of the beginning
Of the beginning
Of the beginning"

Vejo isso como um "relaxe e não se preocupe, não é o fim dos Beatles, mas o novo começo". E para saber mais: http://en.wikipedia.org/wiki/Tomorrow_Never_Knows

Em Sgt. Peppers, vem a consagração de toda essa revolta: o núcleo das músicas é Revolver, mas a ele se acrescentam mais cores, sabores e floreios. E podemos analisar suas músicas em analogia às de Revolver, citadas anteriormente: Ringo de novo bem humorado com A little help, Paul instrumental: She's Leaving Home, Fixing a Hole, Sixty-Four. John psicodélico e experimental: Lucy in the Sky, Mr. Kite, A Day in Life; George Hindu: Within You.

E falando em cores, se Revolver é cru e Peppers é florido, observe as capas dos álbuns e encontre ali uma representação gráfica do conteúdo musical. Revolver preto e branco, a traço - literalmente um rascunho. Sgt Peppers colorido, literalmente povoado de cultura pop, literalmente florido e literalmente cheio de fantasia.

Assim, com Sgt. Pepers a arte transcende a música e o disco, Beatles multimídia, o álbum é mais do que uma peça material isolada, é parte de um grande evento que envolve a capa, as histórias e os mitos que correm perpendiculares atravessando as músicas de forma quase viral, seja fomentando mistérios com trechos ao contrário nas músicas, com a foto do Paul de costas, ou envolvendo o público na fantasia - literalmente - com a fantasia de Lonely hearts Club Band de recortar que acompanha o álbum. Por isso sgt. Peppers é uma obra de arte completa, composta em maior parte por seus elementos intangíveis - cenário, imaginário e mito - do que por suas partes materiais.

Assim, Rubber Soul, Revolver e Sgt. Peppers compõem a santíssima trindade dos Beatles, que pode ser interpretada como, respectivamente:

ANUNCIAÇÃO - REVOLUÇÃO - CONSOLIDAÇÃO


Mas se eu pudesse mudar alguma coisa, pegava I Am The Walrus e jogava pra dentro do Sgt. Peppers.

5.9.06

Questão de Contexto...


Nothing you can do that can't be done.
Nothing you can sing that can't be sung.
Nothing you can say but you can learn how to play the game.
It's easy.

Nothing you can make that can't be made.
No one you can save that can't be saved.
Nothing you can do but you can learn how to be you in time.
It's easy.

All you need is Open
All you need is Free
All you need is love, love
Love is all you need.

Nothing you can know that isn't known.
Nothing you can see that isn't shown.
Nowhere you can be that isn't where you're meant to be.
It's easy.

All you need is Share
All you need is Free
All you need is love, love
Love is all you need

25.7.06

divisão e conquista

divisão e conquista

Na minha casa terei um media center, um computador central que armazena todos os meus arquivos de mídia, dotado de uma óptima placa de vídeo e som, que capturam e exportam mídia para um home theater 7.2 e uma tela de OLED de 62 polegas. Enquanto em estado ocioso, a tela ficará sorteando belas himagens (de repente, colocar um "h" na frente da palavra "imagens" me pareceu tão plausível...*) como pinturas de monet, van gogh e, porque não?, gaugin.
Acabo de baixar um screen saver que faz exatamente isso. Vou salvá-lo para utilizar no meu media theater.
Agora só falta o hardware.

*"All of a sudden, typing 'h' before the very word 'image', seemed so reasonable to me..." said the old elven, as the other capturizing the windfeel. "there's some magic in the air", said Lawrael; The ancient father spread the heavyness of his pensatta, and the youngers retryied the feeling. "Not anymore". Thinks Klemerai, the oldwise, as called was this king, within the Vranvenor People. [trecho de um conto ainda não escrito, por mim]

12.6.06

on this bridge...

on this bridge

Fotografia by Vinicius Costa.

Subo pra me despedir do dia.
Respiro pra me embeber com céu.
Arrisco pra me desatar do medo.
...

[silêncio em memória do verso que não foi criado]
[silêncio em memória do que começou e agora paira no ar]
[melêncio em simória de mim, da risicalidade da muma, dos tertoques que nunca reminam]


Waking Life:

"On this bridge", Lorca warns, "life is not a dream. Beware and beware and... beware".
And so many think because "then" happens, "now" isn't. But didn't I mention the ongoing "wow" is happening right now?
We are all coauthors of this dancing exuberance where even our inabilities are having a roast.
We are the authors of ourselves, coauthoring a gigantic Dostoyevsky novel starring clowns.

This entire thing we're involved with called the world... is an opportunity to exhibit how exciting alienation can be.
Life is a matter of a miracle that is collected over time by moments flabbergasted to be in each other's presence.
The world is an exam to see if we can rise into the direct experiences.
Our eyesight is here as a test to see if we can see beyond it.
Matter is here as a test for our curiosity.
Doubt is here as an exam for our vitality.

Thomas Mann wrote that he would rather participate in life than write a hundred stories.
Giacometti was once run down by a car, and he recalled falling into a lucid faint, a sudden exhilaration, as he realized at last something was happening to him.
An assumption develops that you cannot understand life and live life simultaneously.
I do not agree entirely. Which is to say I do not exactly disagree.
I would say that life understood is life lived.
But the paradoxes bug me, and I can learn to love and make love to the paradoxes that bug me.
And on really romantic evenings of self, I go salsa dancing with my confusion.

Before you drift off, don't forget.
Which is to say, remember. Because remembering is so much more a psychotic activity than forgetting.
Lorca in that same poem said that the iguana will bite those who do not dream.
And as one realizes that one is a dream figure in another person's dream, that is self-awareness.