5.5.06

CENA: A Musiquinha Que Não Quer Para De Requebrar

Quatro ou cinco rapazes sentados em uma mesa de um pequeno restaurante vazio na Argentina.
- Eu não sei se vale a pena.
- Então temos que falar com ele, a gente segura por uma semana.
- Uma semana é muito tempo. Não vai dar.
A musica ´don´t wanna short-dicky men´ toca ao fundo repetidas vezes enquanto os rapazes discutem por um longo tempo.
Os rapazes balançam-se nas cadeiras e semi-dançam a música sem perceberem.
Finalmente, após muita discussão o grupo chega a uma conclusão:
- Porra... claro, tava dizendo.
- Tá, tá. Já entendi.
- Beleza...
A música some em fade-out e fica completo silencio.
Enquanto um fuma em pé o outro bebe uísque.
A música recomeça.
- Puta que o pariu! - cortando o silencio - Essa merda dessa música de novo. - exclama o rapaz enquanto começa a requebrar-se.
É impossivel não dançar.

CENA: "tiroteio 1"


Tiroteio urbano. Falta de perícia; medo, raiva. Absurdo. Estouro e susto. Ladrão vagabundo que anda armado invade residência de pai de família classe média baixa que guarda um 38 na gaveta das cuecas. Ambos pouco usaram as armas. Inicia-se um tiroteio dentro de casa, um tiroteio desajeitado e perigoso na penumbra. Perseguição pelas peças, esconde-esconde adulto, ladrão preso na casa estranha não consegue fugir. A Mulher, assustada com os tiros. NAO HÁ MUSICA. Cena ultra-realista. Só há a respiração ofegante, o suor e o MEDO. Câmera de mão. Alto contraste. Mulher é acertada na coxa. Ela chora e grita, o tiro dói. O bandido foge, a familia chora reunida, roupa úmida de sangue, filha de 6 anos apavorada, um mundo se desfazendo, o divórcio eminente (o marido tinha uma amante). Fade-out para preto, a tela permanece negra por quatro segundos, o único som é o choro da família. Lânguido de dor e fraqueza.

o manifesto do PLI

PLI (TAVARES, 2004): PLI é como o SI, porém mais amplo.
Uma pessoa "em si", remete à ela própria em seu próprio corpo e tão somente isto.
Uma pessoa "em pli" faz um load do que diz respeito à ela, seu corpo e toda a sua obra, toda a sua vida e sua influência no mundo;
Eu, Guilherme, em pli, sou eu, a minha casa, minha namorada, meu cachorro, meu gmail, meu carro, meus amigos e a influência que tenho neles e eles em mim, minha familia, meus filhos, a vaga que ocupei na faculdade, o amor e o ódio das pessoas para comigo e vice-versa.
Enfim, PLI transcente os limites do corpo e se expande até onde algo possa ser associado ao núcleo do significado, à memória dobjeto.
Uma pessoa em si é uma coisa, uma pessoa em pli são muitas coisas sobre si.
Amar em pli é mais do que amar a pessoa, é amar a ela e a toda a sua representatividade, façanhas e façanhuras [façanhas futuras].

Eu, homem (niilismo 01 )

Não existe ninguém nos apoiando em lugar nenhum. Estamos sozinhos sem saber direito para onde ir em um universo infinito. Se hesitarmos, se errarmos, morremos. e é isso.
não há esperança.

o pavor de realizar esta idéia, (no sentido inglês de "realize"), é o causador da auto-defensora idéia de que existe um Deus. de que existe um Antes.

mas não há. só eu e você. desperdiçando nosso tempo como imbecis, com nossas atividades ridículas e irrelevantes, que nos ocupa e nos faz esquecer de que existe um universo lá fora e que eu não sou capaz de compreendê-lo. ou de me compreender nele.